RELEITURA
DEpois de exposto,o poema não mais pertence ao poeta:é dado aos leitores que,ao lê-lo,sentem,pensam.A releitura pode ser o sentimento de quem lê expresso pela escritura de quem pensa.
Neste poeta,talvez mais do que em outros,melhor seria a releitura do conjunto ou de um determinado conjunto de poemas,pois observa-se uma sequência de "falas" entre eles:uma vomversa com versos.O título desse belo "PASSEIO PELA MEMÓRIA" sugere uma possível ambiguidade ou duplicidade de quem vai percorrê-lo como um todo:passeio>>>>>VERBO e passeio>>>>>>SUBSTANTIVO.Essa duplicidade parte,normalmente da MEMÓRIA,"objeto privilegiado em outros poemas.A palavra PASSEIO sugere um especial momento da memória e,reforçada por JARDINS faz supor que a memória do texto remetrerá a memórias alegres,feli-
zes.Toda a primeira estrofe vai confirmando a inicial suposição no "RESGATE DE OLHARES E DESEJOS" As expressões "NÃO CONTADAS E INSEGUROS" inaugura o negativo que está por vir e que é cobfirmado na segunda estrofe:"NOITES MAL DORMIDAS,"FANTASMAS",
"FECHAVA-ME e a duplicidade confirma-se em duas possibilidades(ou mais....)ou haverá DUAS memórias(alegre e triste) pertencentes a um mesmo interlocutor,ou haverá DOIS diferentes interlocutores.Então teremos:MEMÓRIA I = passeio>>jardim>>>>histórias não contadas>>resgatam>>desejos e MEMÓRIA II = noites>>>mal dormidas>>>fantasmas>>>abrir = fechar.Nas "NOITES MAL DORMIDAS"o interlocutor do passado é um duplo negativo sintetizado por VOCÊ,confirmado por ABRIR = FECHAR,introduzido pela palavra POIS.Na terceira estrofe,a memória ,mesmo ainda presente introduz a VIDA>>>COMPREENSÃO>>>SONHO BOM>>>SORRISOS>>>GARGALHADAS,
deslocamento do duplo "negativo",concluindo com e a síntese deslocada de VOCÊ para TU.EM toda beleza da última estrofe,que apresenta a passagem da MEMÓRIA = SONHO para VIDA + SENTIDOS>>>TOQUE>>>>DESEJO reforçado por PELE.´`E o deslocamento do ABSTRATO>>
CONCRETO se realizando,continuado por VIAGENS>>>FOTOS>>>FESTAS>>>BRINCADEIRAS,,
concluindo na linda,muito linda imagem "ARREPIOS SEM FRONTEIRAS".O eterno retorno.É ´ciclico o poema,belamente cìclico:o POETA entrega ao leitor o colorido dos jardins,ele passeia entre a beleza de flo-
res em beleza conclui"LEMBRO ARREPIOS SEM FRONTEIRAS",oferecendo-nos,inclusive liberdades de escolhas,através do plural das palavras.Pensamos tratar-se de um poema "em aberto",pois,ao concluir esse seu texto,abre,para nós,seus leitores,outras fronteiras,outras memórias,outros jardins...
(....................................................................................................................................................)e pensasse UMA das muitas possibilidades e ir comprovando o que é dito,porque o que digo,deve ter sido,anteriormente dito pelo POETA.
(Rosângela Benati,março de 2010)
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