Não
Um auto-retrato.
Um quadro surrealista
Pintado por alheias mãos.
Desfigurados traços...
Na fotografia vêem-se olhos,cabelos,boca.
Há o vento que não sentes
O que leva e o que traz.
Onde a paisagem real?
Inalcansável
Em enganadas vozes
E posta em degredo
Estás.
Basta a ausente fala
A troca de olhar que não(h)ouve.
Escorre tinta pela parede nua
E do borrão acorda outra voz.
(Rosângela Benati)
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