E o que é pior:saber e não sentir o limite do fazer ou não saber e saber que talvez,afinal,haveria algum limite...E o que é saber?? Saber...é estar lá,com ou sem convite.É querer tanto estar lá,que o desejo do outro,aquele que tanto deve ser respeitado,vá pro escambau,pro beleléu,vá procurar a bota e encontre logo o diabo.Só na depressão é "perdoável"(oras) o silêncio absoluto.Na tristeza,é um insulto.Insultamos o outro,pois"você não sabe como é" ou "você não entenderia,meu camarada".Há um exagerado e pretenso poder:o de suportar tudo sozinho.Coisa de megalomaníaco ou de covarde mesmo.Os comuns,aqueles seres quase invisíveis na vidinha de todo dia,esses são humanos e, ao assim procederem,permitem a humanização do outro.Que o outro se aproxime.Que olhe.Que estenda a mão ou,quem sabe,ofereça um abraço.O choro,que comu -
mente é chorado depois,ou engolido a seco.Entende quem está próximo e entende quem longe fica.Houve tantos dias,houve tantas vezes,houve histórias tão iguais.É triste a repetição de tudo,aas mesmas dores a crucificar o mundo,depressões que se arrastam e carregam dias feitos para a alegria e a companhia de outros,que outros não são:
são amigos,são familiares,são conhecidos que se reúnem para dizer através de um belo vinhno ou da geladíssima cerveja - a vida é bela- a vida pode ser bela num copo d'água,nada mais identificado a ela.A nostalgia de tudo é entender que repetem-se os momentos em que não existimos ou,simplesmente,não existimos.
(Rosângela Benati)
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